Uma Escola que Faça Diferença

     

Aproveitando a proximidade do início do ano letivo e a idéia do “Prêmio Faz Diferença” realizado todo ano pelo Jornal O Globo, pensei em escrever sobre um aspecto que julgo  indispensável no tocante a uma escola que queira fazer  diferença.

              Refiro-me a se trabalhar os conteúdos de forma interdisciplinar, contextualizado e de maneira crítica. Contudo neste artigo não entrarei em detalhes quanto à faixa etária, série e nível da turma, pois o que importa aqui é a idéia de como se ministrar o conteúdo das disciplinas. As devidas adequações estarão à cargo dos professores e alunos.

Assim sendo estimulemos os alunos a responder questões baseadas em situações do tipo:

“Um professor de matemática, outro de educação física e o terceiro de inglês, planejam realizar um torneio de futebol, inspirados na Copa do Mundo de 2014. Este evento deve envolver um máximo de 50 alunos tanto de escolas públicas quanto de particulares em “6”  equipes.  Eles dispõem de uma quadra retangular com  40 / 20 m. Tem 3 h para realizar o evento, com desfile de abertura e  premiação ao final”.

              Diante da situação acima respondam: 1) Considerando que ½ hora será utilizada para a abertura, premiação e possíveis atrasos, quantos minutos levará uma partida, considerando que cada equipe jogará ao menos uma vez ?

R – Levará 25‘. Dos 180 ‘ totais, 30 ‘ serão utilizados  com situações extra jogo em si e dividindo-se os 150’ restantes por “6” equipes, acha-se o resultado.

2)  Como as “6” equipes serão formadas: com os alunos de escolas públicas formando determinados times e os alunos de escolas particulares formando outros tantos ou os alunos, independentemente da escola de onde venham, formando os “6”  times ? Justifique sua resposta.

R – Uma possível resposta: ficará mais interessante se as equipes forem formadas misturando-se alunos de escolas públicas e particulares. Esta mescla ajudará de algum modo a combater um certo preconceito, que de forma explícita ou não ainda existe. Um número razoável de alunos de escolas públicas costumam ainda chamar os alunos do ensino particular de “mauricinhos” ou “patricinhas” e igualmente um bom número de alunos de escolas particulares, costuma chamar os colegas do ensino público de “favelados”. 

3)  Levando-se em conta que na Copa de 2014 teremos turistas de todo o mundo, como poderíamos melhorar o aprendizado do inglês, de modo que os estudantes, trabalhando ou convivendo com os turistas pelas várias cidades e estádios do Brasil, pudessem ser úteis para qualquer informação ?

R – Uma possível resposta: uma das maneiras através do aumento da carga horária de inglês. Uma outra forma poderia ser com o fomento do trabalho interdisciplinar entre os professores de inglês e educação física, com aulas conjuntas envolvendo o inglês e o futebol. E uma terceira e última sugestão, seria que os alunos com um maior domínio de inglês ajudassem àqueles com mais dificuldades; em um belo exercício de cooperação.

Quando a escola trabalha dentro de uma perspectiva holística, inter relacionando os conteúdos, situando-os dentro de uma realidade e fazendo a crítica sobre os mesmos, fazemos da aprendizagem algo mais significativo para o aluno, estimulamos a originalidade deste e contribuímos para a formação da personalidade do estudante.

Nada contra decisões consensuais ou mesmo da maioria no ambiente escolar. Porém não é saudável, salvo em situações especiais, decisões impostas que simplesmente enquadram aqueles que pensam diferente. Ou mesmo da maioria que desconsidera a forma de pensar da minoria.

Uma escola que faça diferença é aquela que ajude a formar cidadãos que sempre que acreditarem estar agindo corretamente, tenham a coragem de “remar contra a maré”.     

  

 

 

Publicado em Conhecimento e Educação por JR. Marque Link Permanente.
JR

Sobre JR

Sou professor de educação física. Acredito firmemente que as atividades físicas possam contribuir na formação de pessoas de bem. Gosto igualmente de ler e escrever, não somente a respeito de livros mas também de elaborar os meus próprios artigos. Encontro-me inclusive na saudável batalha de conclusão do meu primeiro livro. Ler e escrever é igual a goiabada com queijo, um sem o outro não faz sentido.

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