Uma Batalha entre o Bom e o Mau Gosto Musical
Interessante o que aconteceu no Prêmio Multishow neste ano. Houve divergência entre os “prêmios do público” e “prêmios do júri” e a maioria das notícias dá conta de que alguns prêmios escaparam da unanimidade dos “artistas de fã-clube”.
Mas… Peraí! Quem faz as músicas subirem nas paradas de sucesso? Não são os integrantes dos fã-clubes e o público em geral? Não são eles que determinam quem faz sucesso ou não? Não são eles que compram ingressos e discos? Não são eles que madrugam nas filas e suam a camiseta nos shows?
Eu entendi mal ou meia dúzia de gatos pingados – o tal de júri, que a bem da verdade não li quem faz parte – decidiu que o “mau gosto” musical do público deveria ser compensado por premiações a artistas não tão populares?
Se entendi bem então estão querendo empurrar goela abaixo um conceito do que deve e do que não deve ser premiado segundo as convicções e o conhecimento – que deve ser muito profundo! – de um grupo que não compõe a maioria que decide se esta ou aquela música estará bombando por aí.
Eu não estou aqui defendendo a “boquinha na garrafa” ou o “apalpa samba” ou qualquer desta droga que chamam música e que inferniza nossos ouvidos e impõe batidas irritantes em nossos cérebros dia sim outro também.
Também não estou exaltando a mesmice e a intragável fila de homens e mulheres que deveriam estar bem longe de instrumentos musicais e microfones e que só estão ali por terem pernas gostosas, olhos de cão abandonado ou por repetirem incansavelmente o mesmo refrão centenas de vezes, enquanto andam pelo palco fazendo caras e bocas e jogando beijinhos para a platéia.
Não estou aqui dizendo que palavras chulas e apelação deveriam ser levadas ao andar mais alto do pódio. Se pudesse, botava tudo isto num contêiner, enterrava bem fundo e ainda descarregava um monte de detritos por cima.
Mas em respeito à democracia, preciso admitir que é isto que o povo gosta e é isto que o povo quer. E se o povo quer e gosta, é isto que deveria levar o prêmio, meus amigos.
O que podemos fazer? Não é certamente criar uma lista paralela e ignorar – ou subestimar – a maioria nem criar artimanhas para premiar o “bom gosto” que anda longe do radinho do povão.
Se isto acontece, quem se dá conta da tal artimanha vê o que ninguém mais viu: um grupo elitizado, auto denominado expert que se acha no direito de impor seu jeito e suas preferências em detrimento ao jeito e preferências de quem mantém a máquina funcionando. Esta mesma máquina que paga seus salários e seu conhecimento privilegiado.
Os prêmios paralelos – os tais prêmios do júri – demonstram um total desrespeito ao público porque dão um recado claro de que este público não tem competência para eleger ninguém e que é preciso interferir e corrigir os “erros” dos fãs.
Num mundo ideal, apenas letras e melodias perfeitas seriam ouvidas por aí. Apenas execuções perfeitas seriam admitidas nos palcos. Apenas o “bom gosto” seria reproduzido pelas emissoras ou admitido em gravadoras.
Mas se não é o que acontece, temos que ter a humildade de reconhecer que cada época tem suas particularidades e se esta é a época da breguice, do ruim, do intragável, há que se tomar outras medidas para mudar o cenário. Há que se batalhar para que o público tenha em mãos qualidade e beleza ao invés de asneiras e baixaria.
Como? Ora… Aquele mesmo grupo “sabido” que institui prêmios “diferenciados” deve conhecer os métodos e as ferramentas para isto! São os integrantes deste grupo que devem conhecer os meios para chegar ao objetivo pretendido.
São eles que sabem o que é bom ou ruim, não são?
Pois é.




