“A razão do sentido do ser só existe no Ser.
Embora esta razão pareça mais forte ao lado de outra semelhante.
******
O ser humano nasce para o gozo e para a dor. (E nenhum anula o outro,)”
[O Livro da Sensatez, XII]
Vim pensando em ter um mestre, por falta de maestria em mim. Venho correndo atrás, sendo que fujo à frente na mesma corrida. Tenho tido prazeres fortuitos por não ter a idéia de que são meus. Tenho tido ilusões, e sofrido a falta delas. Tenho meditado ao som de motores de automóveis. Tenho desaparecido. Tenho sido sensato e doentio. Tenho, enfim, sido humano…
Tenho sido humano, mas não ao ponto de não me chocar com um acidente de trânsito. Não ao ponto de não perceber o quão pequena é minha reles noção de mundo. Tenho tido amores que de nada de amor têm se mostrado. Tenho sido humano real e abstrato, tenho visto na poesia o meu retrato; e o mal poeta que sou de fato.
Penso o quão grande pode ser o universo. Mas sigo aos tropeços e na velocidade ínfima que alcanço. Vibro a alquimia de um corpo qualquer; materializo-me sedento por estar. O status que me tenho é pouco ao que almejo e muito ao que compreendo. Venho sentindo nas flores o cheiro de um orvalho doce, e confundindo isto com o que sai de meus olhos.
Sou humano e a carapuça serve dos erros que todos cometem. Tenho tido o instinto mais forte que minhas vontades – e a meditação mais ansiosa por ascensão.
Tenho tido dores de parto sem ser mulher. Tenho estado na dor pensando estar em mim. Tudo o que crio sou, há um pouco de mim no que há.
Se há noção no que digo ainda hei de saber porquanto vou esperando o enquanto da vida que passa. Vivo o ser sendo humano, embora querendo a espaço-nave em comando. Com as palavras tomo a mim, sendo eu o meu mundo. Tenho tido a religião sem apego. Tenho tido as palavras como abrigo.
Gostou? Deixe um comentário


Nígia
set 01. 2012
Ah! as palavras, amo as palavras quando num contexto expressivo de sentido e sentimento.
Me senti confusa com seu texto mas gosto de me sentir assim.
Nígia
Eduardo F F de Abreu
set 01. 2012
Hehe, não é a primeira vez que você diz que se sente confusa com o que escrevo! Mas o que importa é a sensação, não é mesmo?
Ah, e me desculpe por digitar errado o seu nome no meu último comentário! foi sem querer.
Nome (necessário)
set 02. 2012
Verdade, talvez não seja seus textos, isso é de mim mesma.
Busco ler aquilo com o que me identifico.