A amizade tem dois corações. Em corpos diferentes, pode ter até mais de dúzias, mas se conta nos dedos as suas manifestações, pois é uma dádiva dos pormenores da vida. Quando tive um amigo, mais em mim me encontrei de felicidade. Mais a ele retorno nos momentos de lembranças a sós.
A classe de sentimento de comunhão, seja ela de que tipo for, é das mais altas. Como se mede o abraço sincero de dois amigos? Como mensurar a realidade nas francas palavras de um “eu te amo”? Eu não sei, mas não deve ser de pouco trabalho…
As alegrias que tive sozinho são quase nada perto do que tive junto de alguém que viu aquelas mesmas alegrias como alegrias. Quanto mais amigos tenho, mais tenho certeza do milagre social que é estar perto de alguém e com este fazer parte de qualquer intento.
Lembro-me de quando temia a solidão, e de quando conversamos frequentemente nos dias de hoje. A solidão e eu temos um caso antigo e juntos temos muito tempo para pensar no que somos. Em alguns momentos de insensatez, passo a vê-la como o tudo o que tenho. Em outras vezes, à sorte de um dia de poucos minutos de reencontro de um velho amigo, imagino que sou mais um alguém do que um ninguém solitário.
Penso estar em guerras comigo mesmo. Mas até que aceito bem o meu estilo de vida… Estive longe nos dias de chuva a fim de pensar no sol. Estive passando noites acordado esperando entender o sono; esperando entender o dia que estava para chegar. Assim é com as pessoas também. É de longe que se aprende a admirá-las. É a contemplação distante e paciente que faz a paixão dos seres aos seres. E é comigo recluso em casa que vem o desejo de sair para ver toda a gente que se espera ser vistas embaixo de chuva ou sol.


Nígia
set 13. 2012
Uns nunca mais vi, outros estão no Facebook, e outros de vez enquanto vem aqui. Acho que eles são mais amigos meus do que eu deles.
Eduardo F F de Abreu
set 13. 2012
Ha, ha, ha…!