Qual a proposta que melhor aperfeiçoaria o sistema eleitoral, tendo em conta a necessidade de renovar a política, fortalecer a representatividade dos parlamentos e que o resultado das eleições corresponda à vontade do eleitor, atendendo à chamada “verdade eleitoral”?
A esse respeito, pode-se opinar sobre um sistema eleitoral ideal, destacando um dos modelos-base ou uma de suas variantes, sendo que essa é uma questão quintessencial para o processo democrático e, porque não dizer, para a própria vida em sociedade, uma vez que por essa definição do processo eleitoral passa a assimilação do povo à prática das liberdades. Sem liberdade, ainda que relativa, não há vida em comum, apenas a dominação mais ou menos aberta das maiorias por uma minoria privilegiada politica e/ou economicamente.
Minha humilde opinião é a de que deveríamos buscar o ideal da democracia plena, mesmo sabendo que no caminho teremos que nos acertar com ajustes distantes e dissabores variados. Por democracia plena imagino todos decidindo diretamente todas as questões que lhe cabem, à maneira histórica dos sovietes e da ágora grega (com todas as suas relativizações, obviamente), as quais encontram reflexos pálidos nas organizações de bairro e nos orçamentos participativos atuais. O único freio a tal participação direta deve ser a capacidade técnica para resolver questões de caráter prático, para evitar que se repita o lamentável episódio da Revolução Cultural Chinesa do século passado, onde os técnicos e burocratas foram excluídos como inservíveis apenas para se ver desastres na construção de diques, pontes, entre outras obras públicas efetuadas por pessoas sem capacidade alguma.
Dessa forma, penso a princípio em um sistema misto que englobasse eleições diretas para cargos da administração pública que se aproximassem cada vez mais do povo (exs: médico-administrador do bairro, professor-administrador do bairro, etc.) e outro proporcional que elegesse representantes para cuidar dos assuntos nacionais. A base desse sistema eleitoral deve ser o desejo de servir à comunidade, o que por si só se constitui em um prêmio pessoal de grande monta, com salários e benefícios nada exorbitantes e totalmente transparentes, aliados ao financiamento exclusivamente público de campanhas que não permitam o gasto absurdo que vemos hoje.

