Não sei se alguma mulher já nasce mãe mas eu, com certeza, não nasci. Fui aprendendo na prática. No dia 17 de maio de 2002, mais ou menos às 9 horas, me trouxeram minha filha no quarto para a primeira mamada. Aquele ser tão pequeno, tão frágil e…tão estranho! Não foi amor à primeira vista, como eu pensava que deveria ser. Fiquei frustrada! É claro que estávamos juntas há 9 meses, mas ainda nos conhecíamos pouco.
Cara a cara é bem diferente. Nosso encontro não foi dos mais agradáveis. Ainda sob o efeito da anestesia, mal conseguia me virar na cama. O bebê, com fome, abocanhava o bico do peito e, ai que dor! No dia seguinte, já conseguindo me levantar da cama, tomei banho, peguei minha bebezinha no colo e sentei-me numa cadeira para amamentá-la. Ela mamava tão bonitinho. Agora eu já estava morrendo de amores por ela. Em casa, como toda relação intensa, tivemos alguns percalços. Me sentia incompetente por não conseguir fazê-la parar de chorar. Aí vinha a vó, com toda superioridade de quem já fez isso muitas vezes, pegava a minha filha no colo e ela se acalmava.
O tempo foi passando, e eu fui pegando o jeito. O meu “bebê” tem agora 9 anos, já dá alguns sinais da rebeldia da pré—adolescência, vem aí nova fase. Acho que tenho que aprender como ser mãe, de novo! Será um dia estarei pronta?

