Resenha Crítica do Livro “A Arte da Guerra”

TZU, Sun. A Arte da Guerra. Porto Alegre: L&PM, 2011.

 

Sun Tzu, filósofo estrategista que comandou e venceu muitas batalhas na época dos Estados Guerreiros na China, traz em seu livro, A Arte da Guerra, estratégias e táticas que devem ser utilizadas para alcançar a vitória em uma guerra. Escrita há cerca de 100 anos A.C., a obra mostra conceitos que podem ser aplicados atualmente em diversas áreas, seja nas atividades humanas, na batalha entre exércitos, ou até mesmo no ramo empresarial.

 

No primeiro capítulo, o autor aborda a importância de avaliar e conhecer o inimigo, suas habilidades e suas fraquezas, assim como conhecer os cinco fatores fundamentais para a glória e o sucesso na batalha: a doutrina, o tempo, o espaço, o comando e a disciplina. Não é diferente em uma organização, cujas decisões e estratégias devem estar embasadas na avaliação dos seus concorrentes.

 

O segundo capítulo da obra trata do comando da guerra, onde a agilidade, a eficiência e a eficácia são postas em evidência. Os que dominam a arte militar não montam campanhas demoradas e nem atacam duas vezes, isso causa prejuízos ao estado. Devem-se evitar retrabalhos, pois gastam tempos e recursos, podendo causar a derrota na guerra. “A rapidez é a seiva da guerra”.

 

No capítulo Da arte de vencer sem desembainhar a espada, Sun Tzu fala da capacidade de vencer a batalha buscando a produção e não a destruição. Deve-se vencer conservando inatos os domínios do inimigo, o destruindo somente se for extremamente necessário. Para manobrar as tropas, é necessário conhecer as suas próprias tropas e as do inimigo e saber a hora certa de atacar. Os guerreiros hábeis devem conhecer a situação do inimigo e suas forças, disto decorre a vitória.

 

“Deixa que os inimigos se cansem. Espera que fiquem em desordem ou em pânico. Então, sair e ataca-los com vantagem”. Dita o autor para explicar a importância da habilidade de conservar a própria energia e ao mesmo tempo, induzir o adversário a esgotar a sua. No confronto, deve ser afastado do inimigo tudo o que lhe possa ser vantajoso e aproximado de si tudo, tudo o que traga alguma vantagem. É necessário ludibriar o lado oposto, e assim, atacá-lo quando ele menos esperar.

Os exércitos são comandados pelos generais, por isso, é essencial que estes conheçam a habilidade da mudança, sendo flexíveis e modificando a posição de suas tropas em determinadas circunstâncias, se atentando às seguintes variáveis: conhecer o terreno; não acampar em terrenos isolados; verificar se o local de acampar tem abrigo para se salvar das surpresas do inimigo; preferir lutar a morrer por outros males em situações de desespero; evitar atacar em terreno onde o inimigo pode colocar armadilhas; não cercar cidades bem munidas e fortificadas; não desprezar nenhuma vantagem que puder obter; antes de conseguir alguma vantagem, deve compará-la com o trabalho e as despesas, e só depois decidir se deve aproveitar ou abandonar esta vantagem; agir sem medo mesmo se precisar desobedecer a ordens do príncipe, quando tiver que tomar decisões de imediato.

 

O ambiente geográfico é de suma importância para conseguir a vitória na batalha. Deve-se analisar o terreno e escolher o mais vantajoso, e antes de acampar em determinado local, deve-se estar informado da posição dos adversários. Existem noves tipos de terreno: lugares dispersivos; lugares leves; lugares disputados; lugares de reunião; lugares cheios e unidos; lugares com várias saídas; lugares graves; lugares deteriorados; e lugares mortíferos. Um general deve conhecer todos estes tipos para evita-los ou aproveitá-los. É preciso também manter-se informado sobre tudo o que diz respeito ao adversário. Para tanto, deve-se manter espiões por toda a parte, e ainda conseguir traidores e obter conhecimentos exatos.

 

Tais princípios descritos anteriormente têm extrema relevância ainda nos dias atuais. De forma racional, o autor demonstra a importância de se preservar a disciplina, a obediência e o respeito, enquanto líder, para conseguir atingir um objetivo. Ressalta ainda a importância de ter conhecimento sobre o ambiente que o cerca, sobre as estratégias e hábitos dos concorrentes, e tudo que possa influenciar suas ações e seus resultados.

 

Levando em consideração o ambiente organizacional, estes conceitos contribuem de forma a orientar o planejamento de estratégias, a análise antecipada dos concorrentes, a análise do micro e macro ambiente, a administração e adaptação às variáveis micro e macro ambientais, a flexibilidade a determinadas situações, assim como a capacidade de liderar recursos humanos, materiais e financeiros.

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