Raízes do Atraso Industrial do Nordeste

O processo de desenvolvimento do Nordeste, ainda acanhado, teve início em 1890, quando Pernambuco contava com 49 usinas de açúcar, tentando substituir os engenhos “Bangüê” na principal atividade econômica da região. Na época, o mercado exterior do açúcar ainda não estava em queda, mas já começava a se ressentir da concorrência do açúcar de beterraba, produzido nas Antilhas. Melhor, ainda, para o algodão, cuja procura estava em alta, principalmente nos Países onde já se iniciava a Revolução Industrial.
Após a expansão da produção de açúcar e algodão, nordestinos, nos primeiros anos do Século XX, a região passou a sofrer forte concorrência de São Paulo, no que se refere aos dois produtos, e do Rio de Janeiro, quanto ao açúcar, onde eram cultivados com maior produtividade e melhor administração econômica. Já em 1904 a produção de Campos representava 45% do açúcar consumido na cidade do Rio de Janeiro. Enquanto isto, as exportações brasileiras de algodão, (incluindo Pernambuco e Estados vizinhos) que haviam ultrapassado a cifra dos 19 milhões de libras em 1871-80, sofriam um processo persistente de redução, até chegar, em 1910, a apenas 10 milhões de libras.

Embora o mercado do Centro-Sul nunca tenha sido de muita importância para o Norte, assistimos, nos anos trinta, ao seu quase total desaparecimento. Nesse período, a produção algodoeira e de açúcar de Rio e São Paulo não apenas nossos substituíram nossa exportação para naquela área, como também para Europa,juntando-se à exportaão de Cuba e Antilhas.

Tentando proteger a produção açucareira de Pernambuco ante a concorrência de São Paulo e Rio, o IAA passou a fixar cotas de produção por estados, a partir de 1934, sendo assegurada a Pernambuco uma cota de 3,7 milhões de toneladas, 45,8% do total. No entanto, os Estados do Centro-Sul continuaram aumentando sua participação na produção nacional do produto. Diante disso, o IAA criou uma taxa que passou a ser cobrada sobre o adicional de produção do Centro-Sul, fazendo uso dessa taxa para subsidiar a exportação dos Estados nordestinos para o exterior. Mais a providência não desestimulou os Estados do Sul, que continuaram neutralizando o protecionismo do IAA, mediante a adoção de métodos produtivos de cultivo e administração da sua seara.
Assim foi que, quando a conjuntura econômica internacional cobrou a necessidade de se industrializar o Brasil, encontrou aqueles Estados com alguma capacidade de investimento, enquanto nos Estados do Norte a acumulação de capital era muito menor.

Pelo lado do fator trabalho, já havia, em ambos os espaços, uma boa disponibilidade; naqueles, devido à imigração que já se iniciava, e neste, por causa de uma acentuada concentração de terras em mãos de poucos proprietários, expulsando mão de obra e criando contingente de trabalhadores livres nas zonas urbanas.

Que, naquele período, o Nordeste perdeu posição relativa no valor da transformação industrial do País, não restam dúvidas. As estatísticas o comprovam. Entre 1919 e 1939, a participação do Nordeste caiu de 16,1 para 10,4%, enquanto a de São Paulo cresceu de 31,5 para 45,4%. Por conta disto, cresceu a penetração de produtos industriais de São Paulo no mercado do Nordeste.

    

Odaci Lima
Bacharel em Geografia, mas gosto de Economia Política, Psicologia e Parapsicologia.Estou concluindo dois livros: um, pequeno, Relações de Fronteira, versando principalmente parapsicologia. Outro, bem maior, Economia da Seca, analisando problemas regionais do Nordeste do Brasil, em seus aspectos econômico, político e geográfico. Casado e tenho 10 filhos. So ando de avião quando há necessidade. A passeio, nunca. Tenho 1,62m de altura, 81 anos, Moro em Fortaleza-CE

Publicidade

Nenhum Comentário.

Deixe um Comentário




Cursos 24 Horas - Cursos 100% Online com Certificado