Quando os Sapos Param de Coaxar

Há duas semanas me mudei para uma pequena cidade cercada de pântanos. Não me foi nada confortável dormir os primeiros quinze dias com o som dos sapos tamborilando seus gogós em plena madrugada. O pior de tudo é que não precisaria estar chovendo para ouvir essa “fanfarrinha” animal.
Sempre achei que ninguém gostasse de sapos além da mulher e dos filhos dele, mas descobri que estava enganado. Um humano que atendia pelo nome de Epaminondas sabia muito bem o que era gostar desses anfíbios. Quem da cidade já não viu este velho homem correndo atrás de um sapo com uma redinha? Acho que todo mundo já deve ter visto.

Num dia desses, quando estava dormindo, ouvi som de passos a rodear minha casa. Os passos iam e voltavam, e por um breve momento paravam, mas tornavam a ir e voltar. O som era abafado pela chuva razoavelmente forte que caía naquela noite. Não consegui continuar deitado. Tive que me levantar para ver o que estava acontecendo. Afastei a cortina e abri bem lentamente uma fresta na janela, com muito cuidado para não fazer barulho. Avistei tudo e parecia normal. Mas o barulho havia parado. Só se ouvia os sapos fazendo seus “ploc plocs”.

Estava quase a voltar para cama, quando percebi que uma silhueta escura lá no meio da rua se mexia. Estava quase que engatinhando no chão todo molhado. O interessante era que aquilo estava usando um par de galochas amarelas. Todos estavam dormindo àquela hora, pois já passava das 02h48min da madrugada. Se não fosse pelo tamanho, diria que vi um sapo ou uma assombração. Mas… Aquelas galochas amarelas? Como não percebi isso antes? Era o velho Epaminondas rastejando no chão pedregulhoso da rua da minha casa. Mas o que estaria fazendo ali naquele momento? Corri até a gaveta do criado mudo e tirei um binóculo. Voltei para ver aquela cena mais de perto. Ajustei o foco e o zoom. Pronto. Agora sim podia ver tudo perfeitamente.

Era o Epaminondas que havia parado quase que deitado de bruços de frente para dois sapos grandes e cascudos, que mais pareciam duas pedras arredondadas. O velho encarava esses dois sapos que coaxavam desesperadamente como se pedissem socorro. E os sapos encaravam o velho. Fiquei olhando essa cena por uns minutos tentando entender o porque daquilo. Num momento qualquer ele estalou os dedos da mão direita e o mais incrível aconteceu. Os sapos pararam de coaxar. Fiquei sem piscar e respirar por um breve momento.

“Como ele… como conseguiu?” E não foram somente os dois sapos que pararam com o barulho, mas todos os sapos da região. A partir daquele momento só se ouvia o som contínuo e ritmado da chuva caindo no chão. Não sei se foi mágica, truque… Eu já vi encantadores de serpentes, mas de sapos foi a primeira vez. Depois de ter calado os sapos, o velho se levantou e caminhou tranquilamente até sua casa. Todo encharcado, mas tranqüilo em saber que poderia dormir em paz sem o coaxar dos sapos. Voltei pra cama e fiquei pensando no que vi até cair no sono.

Acordei cansado e com o corpo dolorido. Parecia que estava de ressaca. Minha cabeça estava latejando. Foi quando logo percebi que estava com o binóculo ao lado do travesseiro. Nesse momento lembrei-me da noite passada e de tudo o que havia ocorrido. Seria sonho? Com certeza não. Lembrava muito bem do que tinha visto. Fui à janela para ver do mesmo ângulo o que estava lá fora. Havia duas pedras no local onde estavam os sapos. Não podia acreditar. De noite eram sapos, e de dia eram pedras? Como poderia?

Coloquei minha roupa e sai andando pela rua até onde morava o Epaminondas. Ele estava lá, lendo seu jornal na cadeira de balanço em frente a sua casa. Cheguei mais perto e o cumprimentei e perguntei se ele tinha saído a noite de casa e passado pela minha rua. Ele abriu a boca e soltou um som que ouvi muito aquelas noites de chuva: “ploc crak ploc!” me afastei rapidamente para trás e ele deu uma piscadinha com o olho direito. Depois disso não me lembrei de nada. Tudo havia se apagado. Abri os olhos e percebi que estava na minha cama. Estava escuro. Era noite. Caminhei até a janela e vi uma pilha de sacos de lixo em frente a duas pedras arredondadas na rua.

Peguei o binóculo e vi que realmente era uma pilha de sacos de lixo de frente para duas pedras. Fechei a janela, guardei o binóculo e fui lavar meu rosto no banheiro. Voltei pra cama e dormi. Mal sabia eu que no momento em que peguei no sono, o velho Epaminondas passava em frente a minha casa, fazendo barulho com suas galochas amarelas e caçando sapos.

Quando os sapos param de coaxar Há duas semanas me mudei para uma pequena cidade cercada de pântanos. Não me foi nada confortável dormir os primeiros quinze dias com o som dos sapos tamborilando seus gogós em plena madrugada. O pior de tudo é que não precisaria estar chovendo para ouvir essa “fanfarrinha” animal. Sempre achei que ninguém gostasse de sapos além da mulher e dos filhos dele, mas descobri que estava enganado. Um humano que atendia pelo nome de Epaminondas sabia muito bem o que era gostar desses anfíbios. Quem da cidade já não viu este velho homem correndo atrás de um sapo com uma redinha? Acho que todo mundo já deve ter visto.Num dia desses, quando estava dormindo, ouvi som de passos a rodear minha casa. Os passos iam e voltavam, e por um breve momento paravam, mas tornavam a ir e voltar.

O som era abafado pela chuva razoavelmente forte que caía naquela noite. Não consegui continuar deitado. Tive que me levantar para ver o que estava acontecendo. Afastei a cortina e abri bem lentamente uma fresta na janela, com muito cuidado para não fazer barulho. Avistei tudo e parecia normal. Mas o barulho havia parado. Só se ouvia os sapos fazendo seus “ploc plocs”. Estava quase a voltar para cama, quando percebi que uma silhueta escura lá no meio da rua se mexia. Estava quase que engatinhando no chão todo molhado. O interessante era que aquilo estava usando um par de galochas amarelas. Todos estavam dormindo àquela hora, pois já passava das 02h48min da madrugada. Se não fosse pelo tamanho, diria que vi um sapo ou uma assombração.

Mas… Aquelas galochas amarelas? Como não percebi isso antes? Era o velho Epaminondas rastejando no chão pedregulhoso da rua da minha casa. Mas o que estaria fazendo ali naquele momento? Corri até a gaveta do criado mudo e tirei um binóculo. Voltei para ver aquela cena mais de perto. Ajustei o foco e o zoom. Pronto. Agora sim podia ver tudo perfeitamente. Era o Epaminondas que havia parado quase que deitado de bruços de frente para dois sapos grandes e cascudos, que mais pareciam duas pedras arredondadas. O velho encarava esses dois sapos que coaxavam desesperadamente como se pedissem socorro. E os sapos encaravam o velho.

Fiquei olhando essa cena por uns minutos tentando entender o porque daquilo. Num momento qualquer ele estalou os dedos da mão direita e o mais incrível aconteceu. Os sapos pararam de coaxar. Fiquei sem piscar e respirar por um breve momento. “Como ele… como conseguiu?” E não foram somente os dois sapos que pararam com o barulho, mas todos os sapos da região. A partir daquele momento só se ouvia o som contínuo e ritmado da chuva caindo no chão. Não sei se foi mágica, truque… Eu já vi encantadores de serpentes, mas de sapos foi a primeira vez. Depois de ter calado os sapos, o velho selevantou e caminhou tranquilamente até sua casa.

Todo encharcado, mas tranqüilo em saber que poderia dormir em paz sem o coaxar dos sapos. Voltei pra cama e fiquei pensando no que vi até cair no sono.Acordei cansado e com o corpo dolorido. Parecia que estava de ressaca. Minha cabeça estava latejando. Foi quando logo percebi que estava com o binóculo ao lado do travesseiro. Nesse momento lembrei-me da noite passada e de tudo o que havia ocorrido. Seria sonho? Com certeza não. Lembrava muito bem do que tinha visto. Fui à janela para ver do mesmo ângulo o que estava lá fora. Havia duas pedras no local onde estavam os sapos.

Não podia acreditar. De noite eram sapos, e de dia eram pedras? Como poderia? Coloquei minha roupa e sai andando pela rua até onde morava o Epaminondas. Ele estava lá, lendo seu jornal na cadeira de balanço em frente a sua casa. Cheguei mais perto e o cumprimentei e perguntei se ele tinha saído a noite de casa e passado pela minha rua. Ele abriu a boca e soltou um som que ouvi muito aquelas noites de chuva: “ploc crak ploc!” me afastei rapidamente para trás e ele deu uma piscadinha com o olho direito. Depois disso não me lembrei de nada. Tudo havia se apagado.

Abri os olhos e percebi que estava na minha cama. Estava escuro. Era noite. Caminhei até a janela e vi uma pilha de sacos de lixo em frente a duas pedras arredondadas na rua. Peguei o binóculo e vi que realmente era uma pilha de sacos de lixo de frente para duas pedras. Fechei a janela, guardei o binóculo e fui lavar meu rosto no banheiro. Voltei pra cama e dormi. Mal sabia eu que no momento em que peguei no sono, o velho Epaminondas passava em frente a minha casa, fazendo barulho com suas galochas amarelas e caçando sapos.

    

Fernando César
Universitário, faz Gestão em TI pela Universidade Paulista-EAD, 5º semestre. Idade:20 /Estilo:Alternativo /Orkut:quase nunca /Facebook:sempre /Aberto a contatos profissionais.

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