O Significado de Etnocídio

Na realidade, desde a colonização do continente americano pelos europeus as nações indígenas vêm sendo exterminadas, e inúmeras sociedade pré-colombianas já desapareceram completamente.

Na América do Norte esse processo de ocupação da terra pela chamada civilização ocidental, e o consequente extermínio dos ameríndios, já chegou ao fim: não existem mais áreas “virgens” ou ainda não ocupadas e a população indígena que ainda resta está integrada ou confinada nas reservas (áreas delimitadas pelo governo, onde os índios vivem).

Na América do Sil, por sua vez, ainda existem áreas a serem exploradas, como é o caso da Amazônia, restando ainda alguns grupos indígenas que não foram integrados ou exterminados. Os conflitos, nessas áreas, são bem mais intensos, com evidente desvantagem para os silvícolas, que vão perdendo seus territórios e sendo dizimados a bala, ou pela fome (devido à destruição de suas plantações) ou ainda pelo flagelo das doenças que contraem em contato com o branco. E, além do extermínio físico, ocorre também um extermínio cultural, com o desaparecimento de suas línguas, costumes, crenças e hábitos.

Há alguns anos criou-se até um termo novo – etnocídio – para se designar esse processo de extermínio cultural que ocorre com os indígenas na América do Sul. O termo etnocídio refere-se não apenas à destruição física, mas principalmente à destruição da cultura de um povo, ou seja, do seu modo de vida, dos seus hábitos, das suas crenças, da sua língua, da sua tecnologia, dos seus costumes. Isso manifesta-se principalmente no fato de não se aceitar o índio como índio, constrangendo-o a transformar-se em brasileiro, venezuelano, colombiano ou boliviano. Pretende-se que ele abandone suas crenças “bárbaras e pagãs” e adote as”verdadeiras religiões”, as do Ocidente cristão, e que acabe com seus remédios de ervas medicinais e feiticeiros para adotar os medicamentos e drogas farmacopeicos. E que aprenda uma língua “civilizada” e vá trabalhar numa fazenda como “peão” ou “bóia-fria”. O resultado dessa integração forçada do índio é o seu extermínio, o seu desaparecimento físico e cultural. Ou seja, um etnocídio. Ora, para os indígenas que ainda restam no país, o ideal não é garantir-lhes o título de “cidadãos brasileiros” e sim a posse de um território, de áreas onde as condições naturais não foram muito alteradas e nas quais eles possam viver em paz como índios, com sua cultura inalterada ou pouco modificada.

    

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