A notícia da madrugada de hoje dando conta do assassinato (por que não chamar assim?) de Bin Laden por parte de forças americanas só veio firmar ainda mais uma ideia que há tempos venho formando sobre Barack Obama, a de que a única diferença entre ele e Bush é apenas e só o tom de pele.
Lembro de que quando da sua vitória para a presidência americana todo mundo esperava que ele se regesse pelo patrocínio da paz e do respeito mútuo. Numa tentativa de o condicionar, é assim que penso, atribuiram-lhe até o Prêmio Nobel.
Hoje volvidos dois anos da sua tomada de posse, chega-nos a notícia de que esse ilustre galardoado com tal prêmio perante duas possibilidades, a da captura vivo do Bin Laden ou a captura morto, optou pela segunda.
A minha pergunta é: por quê?
Será próprio de um prêmio Nobel da Paz ordenar uma execução, ainda que se esteja falando do “suposto” responsável de milhares de mortes? E digo suposto porque também era suposto o Iraque ter armas químicas quando da invasão norte americana e posteriormente soube-se que não. No entanto ninguém lhes apontou o dedo ou pediu explicações.
Bin Laden, fosse ele quem fosse, tinha direito a um julgamento justo (foi assim que me ensinaram quando criança), assim como todos nós temos, e não acho que devamos ficar contentes por uns Estados Unidos que se colocam uma vez mais acima dos Direitos Humanos.
E se os Estados Unidos podem matar o Osama, por que é que eu não posso matar minha vizinha que matou meus gatos? O princípio é o mesmo, o da justiça pelas próprias mãos.
Não é com a morte do número um do Al-Qaeda que se acaba o terrorismo. A ele um outro sucederá. Este assassinato, pelo contrário, poderá ser o rastilho que faltava para que se incedeie ainda mais o ódio dos fundamentalistas muçulmanos.
De 2001 para cá as pessoas, americanos sobretudo, viviam no medo. Hoje, infelizmente, não é a libertação. É o redobrar desse mesmo medo. Outra coisa não se espera que não seja a vingança.
Enquanto os Estados Unidos mantiverem sua sobranceria e arrogância, achando-se donos e senhores de tudo, entrando e saindo da casa alheia, não haverá paz.

