Como amanhã é o dia da criança, achei bastante oportuno falar desse assunto: a infância. Segundo o americano Neil Postman, teórico da comunicação:” A infância é um artefato social, não uma categoria biológica”, assim ele afirma em seu livro: O desaparecimento da infância (Editora: Graphia, Rio de Janeiro, 1999). Para embasar essa afirmação o autor discorre sobre a o conceito de infância no decorrer da história. De fato, tenho que concordar com ele, a infância como a conhecemos atualmente, nem sempre existiu.
Por muito tempo as crianças foram tratadas como adultos em miniatura, não sendo poupadas das responsabilidades dos grandes, como o trabalho pesado, por exemplo, isso até o XVI século, a partir daí, nos fala Postman essa fase da vida passou a ser encarada como carente de cuidados diferenciados. O autor também chama a atenção para um fenômeno que está ocorrendo, com as crianças precocemente elevadas a condição de adultos – tanto na vestimenta como nos gostos – e adultos infantilizados.
Postman discorre sobre o peso da televisão e dos meios de comunicação em geral, sobre essa inversão de papeis. A informação hoje está ao alcance de todos, independente da idade e assuntos que eram segredos para os pequenos, como os relacionados ao sexo, são discutidos abertamente em qualquer ambiente.
Concordo com o crítico em muitos aspectos, inclusive quando ele cita a erotização precoce das crianças, sem dúvida as crianças imitam os adultos TAMBÉM em relação a isso, mas, não acho que isso significa que essa fase tende a se extinguir. Penso sim que a infância é uma imposição biológica, até mesmo no reino animal os filhotes são cuidados e protegidos, devido a sua fragilidade. Em relação ao conhecimento, não acredito que ele seja maléfico, ao contrário, o conhecimento é uma dádiva, ele liberta, as crianças não são menos crianças por saberem que o bebê é concebido através da relação sexual entre homem e mulher, e não trazido pela cegonha. Quando o autor fala de erotização precoce há um evidente exagero, crianças “treinam” para ser adultos nos imitando.
Uma pessoa que enxerga os atos de uma criança com conotação erótica é sem dúvida um doente pervertido que necessita de tratamento médico. A ideia de criança, que tanto demorou para ser firmada, representa uma prova da evolução humana. Se nos séculos passados as crianças não eram tratadas como tal, era simplesmente porque não existiam conhecimentos suficientes para o entendimento dessas diferenças biológicas. Concordo mais com o autor em relação à infantilização dos adultos. Estamos sim, e aí me incluo também, confusos sobre nosso papel na sociedade. A rapidez dos avanços tecnológicos, a montanha de informações que nos chega diariamente, a alta competitividade no mercado de trabalho, enfim, os sintomas dessa vida moderna e globalizada estão fazenso com que os adultos sim percam a identidade mas, crianças, serão sempre crianças.

