O Budismo e a Menina do Vestido Azul
Há alguns anos venho me perguntando sobre a real necessidade de ter uma religião. Eu entendo que a religião traz grandes benefícios para a sociedade, se não fossem as religiões o ser humano estaria vivendo sem ordem e a discórdia e violência estariam imperando na sociedade.
Porém desde que passei a estudar a história das religiões e os seus preceitos comecei a ficar mais crítica e resistente em aceitar algumas regras religiosas, fui criada no catolicismo, fui batizada, fiz primeira comunhão, crisma, participei de grupos de jovens, cantei em missas e vou casar com uma cerimônia católica, mas hoje vejo a realização do casamento com cerimônia católica mais como o fechamento de um ciclo, uma necessidade própria de continuar os ensinamentos daquilo que fui criada para seguir e acreditar.
Mas minha curiosidade me fez e me faz procurar por outros ensinamentos em outras religiões, e verificar que pra mim o que funciona na verdade é a junção de vários ensinamentos sobre o bem ao próximo e não o ensinamento de uma única doutrina que me fecha as possibilidades de fazer o bem a um maior número de pessoas.
Uma das últimas atitudes que tomei para exercitar meus conhecimentos religiosos foi participar de uma reunião budista, onde aprendi itens muito importantes para o bem de todas as pessoas, que é o que eu considero de mais importante nos ensinamentos das religiões.
Um dos objetivos pregados pelo budismo é o Kossen-rufu, termo em japonês, que significa a paz mundial, a oração feita pelos budistas têm como meta principal a conquista da paz mundial.
Existe motivo mais justo para fazer uma oração?
Se todos os esforços e orações fossem voltados para esse objetivo acredito que a vida seria muito melhor.
Outro ensinamento budista que é muito interessante é o que os budistas chamam de revolução humana, que significa mudar a si mesmo para à partir daí, mudar as pessoas a sua volta até alcançar a mudança de toda a humanidade, então melhorando os próprios comportamentos estaremos mudando tudo ao nosso redor, para elucidar essa questão, minha mestra dos ensinamentos budistas, Maira (colega de trabalho que me apresentou a religião), me contou uma história budista que expressa muito bem o conceito de revolução humana, é a história da menina e o vestido azul, diz a história que uma menininha vivia com sua mãe em um cortiço, onde tudo era muito sujo e mal arrumado, as pessoas andavam com roupas sujas e rasgadas, tinham pragas como piolhos e carrapatos, pois sua higiene pessoal e a higiene local eram precárias, as casas eram uma verdadeira bagunça e cheia de lixo e entulhos.
Um belo dia um homem passou pelo local e percebeu uma linda garotinha brincando em meio à sujeira do cortiço, foi quando ele reparou o quanto a menininha era bonita e se lembrou de um vestido azul novo e limpinho que tinha dentro do seu carro e imaginou o quanto o vestido não combinaria com aquela menina tão bonita, ele então deu o vestido de presente para a menina, que ficou muito feliz com o presente, colocou o vestido e foi correndo mostrar para sua mãe o que tinha ganhado.
Ao ver a filha com aquele vestido a mãe se admirou ao reparar o quanto a menina tinha ficado bem com uma roupa tão nova e limpa e resolveu então dar um banho e arrumar a filha para ela ficar ainda mais bonita com o vestido novo. Depois disso a menina saiu para brincar com uma coleguinha da vizinhança, ao perceber sua filha brincando com a menininha tão bem vestida a mãe da outra menininha pensou:
- Aquela menina que está brincando com a minha filha está tão bem vestida e arrumada e minha filha toda suja e mal arrumada, acho que vou dar um banho e arrumar a minha filha para que ela fique tão bonita quanto à amiga e as duas possam continuar brincando.
Enquanto isso a mãe da primeira menina estava observando a filha e pensou:
- Minha filha está tão linda bem arrumada e limpinha, acho que vou me arrumar também, pois assim farei jus a uma filha tão bonita!
Depois de arrumada ela resolveu que estava ótima e se sentia bem, então não fazia sentido se sujar novamente, então resolveu limpar também a casa e manter o ambiente organizado, arrumou tudo e aí percebeu o quanto as paredes estavam sujas, então resolveu pintar as paredes para ficar tudo mais limpo ainda.
Por fim, os vizinhos vendo a mudança na casa e na aparência daquela família resolveram começar com as mesmas atitudes de transformação porque também queriam se sentir bem e felizes como a família vizinha.
Isso é a revolução humana, mudar a si mesmo e como conseqüência mudar as pessoas ao seu redor.
Penso que a vida seria muito melhor se todos pudessem enxergar seus erros e conseguir transformá-los em virtudes, boas ações e bons comportamentos em prol de uma sociedade melhor.
Uma coisa que sempre pensei foi que se eu tratar bem o próximo não tem porque receber tratamento ruim em troca, um sorriso incentiva outro sorriso, um obrigado incentiva um de nada, a paz incentiva a paz, deveríamos nos guiar sempre pelas boas ações, pois através delas seremos capazes de transformar o mundo e as pessoas ao nosso redor, só assim caminharemos rumo a uma sociedade evoluída e com pessoas de bem.
Portanto, comece a sua revolução humana, independente da sua religião, faça o bem, a si mesmo, ao próximo, a todos…
Proponha-se fazer o bem e tenha certeza de que será muito mais feliz e realizado.




Pingback: Melhore o seu Blog e Ajude a Blogosfera! | WRG.com.br - Não Desista do Blog!
O artigo nos faz pensar em quanto ainda podemos melhorar o nosso mundo com pequenas ações.
Obrigado pelo comentário Hildo, também acredido que cada um fazendo um pouquinho o mundo poderá ser transformado para melhor!
Se nos propormos a isso acho que já é um ótimo começo!
Mudando aqueles ao nosso redor mudaremos nossa vida e ficaremos mais felizes.
Mais uma vez agradeço o comentário!
Seu artigo é emocionante e sua forma de escrever fez minha imaginação ir longe…
O texto tem tudo a ver com uma das frases de John Nash “O melhor resultado acontece quando todos em um grupo fazem o melhor por si próprios e pelo grupo.”
Acredito que se todos fizermos o melhor com certeza tudo melhorará a nossa volta.