Como primeiro artigo que escrevo aqui, quero abordar um assunto que me preocupa e que pode gerar controvérsias. A música “evangélica” ou gospel brasileira.
Podemos notar que a degradação musical atual chegou também neste segmento que além de atrair artistas que perderam a fama na música “secular” tornou-se um celeiro de mau gosto. É muito triste presenciar essa contaminação, mas tudo aquilo que visa lucro e bem estar está fadado a esse contágio. Letras pobres e sem conteúdo embasado na Bíblia é apenas o começo, outrora as músicas cristãs conhecidas pelo hinário em sua grande maioria tinha um conteúdo mais sadio, porém eram musicalmente pobres ao contrário de hoje em que igrejas investem pesado em seus ministérios de louvores como máquinas de trazer fiéis e de venda de discos.
Concordo que a qualidade tecnológica e musical deve ser presada neste segmento artístico, porém a essência está a ser descartada que é a ligação adorador – Deus e está entrando a teologia da barganha que era pregada em púlpitos e que agora é cantada como louvor.
Uma coisa que me preocupa muito dentro de todo esse segmento teológico atual das grandes denominações eclesiásticas é a virulência com que atinge os cristãos de base, músicas com tonalidades imperativas dirigidas a Deus como se fosse uma ordem dada ao Supremo criador, por exemplo: entre, venha, quero, dê, faça, etc. e por ai vai. Nestas músicas os refrães são autoritários e levam o adorador a cantar nessa tonalidade. Há ainda os ritmos, sempre concordei que música é música independente de ser rock, samba, sertanejo, mas “funk” (entre aspas porque não tem nada a ver com o funk americano) carioca gospel é o apocalipse.
A música é arte, a arte é divina e o divino é Deus, devemos escolher as palavras para cantar para Ele e o principal, música evangélica não precisa necessariamente ter Jesus, Deus ou nenhum de seus outros nomes no corpo da letra, podemos abordar o amor entre irmãos, a convivência, a paciência, o amor entre casais, o fim dos tempos, etc.
A moda é Jesus rimando com luz, coração com salvação e outras que nem rimam como: benção com promessas, céu com anjos e a lista vais crescendo.
Voltando ao assunto dos ex-seculares que se converteram, ouso dizer que o fim de suas carreiras na música do mundo representa um recomeço no meio evangélico que vem crescendo muito e ainda por cima é muito mais rentável, pois o crente tem medo de comprar cds piratas. Não se deixe embalar pelo ritmo gostoso e deixe a música evangélica passar pelo crivo de seu senso crítico e não ouça apenas com os ouvidos e sim com o coração e todos os outros sentidos, afinal adoramos um Deus por sermos racionais, logo não deixemos nossos instintos e emoções dominar nossa razão.


Gabriel
dez 08. 2012
Concordo contigo, a música gospel tem um papel fundamental em todo sentido da vida. Não apenas no emocional, como muitos cantores tem mostrado, é sempre mais do mesmo. Poucos cantores gospel me fazem para e pensar em suas letras. É preciso também olhar para o social, mas é como K. Marx diz: ” A religião é o ópio do povo”.