Penso nos textos dos livros espalhados em minha cama. Há desde as “Comédias da Vida Privada” de Luís Fernando Veríssimo, até mitologia universal, passando pelos sonetos de Vinícius de Moraes. Nos livros tudo é mais bonito, dito pelos poetas e escritores. O amor é sempre celestial, transcendente. A morte uma epifania. O sofrimento redime. A vida é sempre teatral. As experiências dos personagens são descritas minuciosamente, cada detalhe cuidadosamente narrado para que o leitor se sinta “dentro da história”. Chegamos a ouvir o coração batendo rápido e descompassado dum personagem de história de suspense; sentimos o mesmo nó na garganta e o aperto no peito de um personagem que sofre. E os contos eróticos? Quem já leu sabe o que quero dizer.
Queria ser a heroína de um romance. Talvez a Meg de “Pássaros Feridos”. A vida dela era tão romanticamente trágica, sempre à espera do padre Ralph. Ou poderia ser Diadorim de “Grande Sertão Veredas”, disfarçada de jagunço e com os olhos mais verdes que a imaginação pode criar. Também seria bem legal ser “Orlando” de Virgínia Woolf, um rapaz que acorda mulher e vive aventuras através dos tempos. Enfim, na literatura tudo é muito intenso. Melhor do que a vida real? Cito Belchior na música “Como os Nossos Pais”: viver é melhor que sonhar…

