Leviatã, Thomas Hobbes

Leviatã, Thomas Hobbes“Guerra de todos contra todos”, “o homem é o lobo do homem”. Essas são frases do teórico político e filósofo Thomas Hobbes. Nascido em 1588, numa pequena cidade inglesa. Hobbes teve seus estudos em Magdalen Hall Oxford, pagos por seu tio Francisco.O momento histórico vivido por Hobbes foi de uma grande interferência da Igreja no Estado, mas foi autêntico no seu pensamento dizendo que o Estado era uma criação totalmente humana, não tinha qualquer relação com a vontade de Deus.

Hobbes publicou três livros tratando de sua doutrina política: Os Elementos da Lei Natural e Política, de 1640; Do Cidadão (De Cive, em latim), de 1642 e o Leviatã, de 1651, porém foi só com o Leviatã que o filósofo passou a ser considerado um dos maiores pensadores da política de todos os tempos. Muito insatisfeito com os autores de seu tempo, Hobbes procurou aplicar o método dos geômetras em sua filosofia política. Com isso acreditou ser possível criar uma verdadeira ciência política.

O livro Leviatã foi escrito por Hobbes com a intenção de defender a necessidade de uma “soberaneidade” como a única forma de se manter a paz e a união dos seres humanos. Com um poder maior, soberano a todos, o homem sairia do seu “estado de natureza” (estado natural do homem, em que ele é violento e egoísta, somente visando o seu poder e glória, segundo Hobbes) e passaria a se comportar em sociedade. Leviatã é um ser bíblico, o mais forte de todos, cruel e invencível. Na obra de Hobbes, o monstro é simbolizado como o poder do Estado absoluto.

O livro é separado em quatro partes: Do Homem; Do Estado; Do Estado Cristão; Do Reino das Trevas.

A primeira parte do livro expõe uma forma de “teoria do conhecimento”, em que o autor faz uma abordagem analisando o desenvolvimento da consciência a partir das primeiras sensações do homem até a formulação do seu conhecimento. Essa parte do livro visa as virtudes, a moral e também as leis naturais. No final, Hobbes, descreve um pouco da “teoria da vontade”, com um estudo dos interesses, no livro “paixão”, úteis ou não ao homem em sua jornada. Na parte Do Homem, Thomas Hobbes vê a filosofia pelo ponto de vista da eficiência, ligada a uma praticidade.

Na segunda parte do livro, Do Estado, Hobbes faz uma oposição às paixões do ser humano. Pois segundo ele, as paixões humanas não obedecem a nenhum tipo de lei moral, como a justiça e a gratidão. Para tanto, Hobbes defende que as convenções são necessárias para a união e sobrevivência da humanidade. Uma vez que for freado o desejo de poder nos corações dos homens pela ação das convenções, atos políticos e jurídicos, vai se criar um “pacto-social”, cujo todos os homens iriam obedecer, por conter nele parte do interesse coletivo. É manifestação desse pacto a escolha de um tipo de soberano, pois será o papel dele a responsabilidade de manter os diversos pactos em detrimento ao interesse coletivo ou a vontade geral.

Na parte Do Estado Cristão, é descrito uma noção da República Cristã, contrapondo o soberano emanado com a realeza natural de Deus. Na primeira parte do livro, Hobbes extrai a “natureza do homem”, definindo as suas essencialidades e tudo mais, e depois prossegue o seu discurso apoiando-se na “palavra natural de Deus”. Para provar, argumentativamente, a existência de uma sociedade que extrapola a “sociedade civil”, ele analisa expressões como “vida eterna”, “inferno”, “mundo futuro”, etc.

Com uma crítica às interpretações usuais das “Sagradas Escrituras”, onde denuncia uma “vã filosofia’ e “tradições fabulosas”, Hobbes escreve a ultima parte do seu livro.

Hobbes escreveu o Leviatã com o intuito de defender o absolutismo monárquico como a única forma de se manter uma coexistência pacifica da humanidade. Entretanto Hobbes foi muito idealista, pois ao defender um Estado acima da constituição e das leis civis, não observou a possibilidade de um abuso de poder por parte do soberano.

Não muito tempo atrás, a sociedade brasileira viveu uma forma de Estado ilimitado, no caso, uma Ditadura Militar. Onde havia um Estado, acima da constituição de qualquer lei, que fez de tudo para se manter no poder.

Thomas Hobbes deixou claramente sua visão política no livro Leviatã, sendo conceituado de contratualista e defensor do absolutismo. Hobbes possuía uma visão cética e racional, em ralação ao homem e a sua natureza sociável. Seu pensamento é inovador para a sua época, uma vez que defende um absolutismo que não deriva de um direito divino, mas sim que nasce de um pacto.

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