Era uma vez… Um tempo
Tão passado a longos passos
De lembranças boas e fracassos
Eu corria como criança ao vento…
Soltava pipa nas tardes frias
Quando o vento do leste soprava
Do Para casa pronto… Sonhava
Com um amanha… De alegrias
Era uma vez… A inocência
Prima amiga e companheira
Na Ciranda, na Roda, na beira.
Do barranco… Olhava a assistência
Os outros garotos vadios a brincar
No campo de terra… A chover
Nas poças escorregadias rever
Os tombos de bola a rolar…
Na brincadeira do pique
Na bateria de lata vazia
No descadeirado samba sorria
O menino pobre… Sem limites
Na gritaria da mãe e do pai
Menino vem estudar… Vem…
Praça não dar pra ninguém
Dinheiro algum que te faz
Como gente de bem, neste mundo.
Moleque somente querer ser
Nada de pensar… Só viver…
Em namoro com um amor profundo…
O de gostar pra viver
Pra escola estudar e vender
No declamar desta rima
Pra mestre tia que ensina
Um Bê-á-bá diferente
De carinho e dedicação
Pois de calça curta e blusão
Quis nos fazer de gente…
Era uma vez uma juventude exigente
Que mestres, sábios, cientistas faz.
Ajudou a muito ser Presidente uma vez
De um país, de um povo vivo e crente…
Nas interfases deste prosado
Entre rimas altas e remediadas
Lembro-me bem o passado
De criança de colo mimada…
Era uma vez… Aquele tempo
Que fez letrados na Historia
Preparando um tempo de gloria
Como Jesus no Advento…
Foi- se paginas letras ao leu
Escreveu-se muito e reafirmo
Era uma vez… Outro cismo
Que hoje começa… Tempo novo do céu…
Pensam muitos, que bobagem
Pensam no romantismo perdido
Que ainda, hoje tem a coragem.
De ser conquistado e não vencido
Pois esta velha a história
Aqueles papos simples e sinceros
O que hoje é todo um careta
Pensar… Guardar na memoria
Dizem o que pensam no ato
O pensamento se norteia
Em vagas lembranças medeia
Palavra de velho… É pato
Pequenos dos anos sessenta a oitenta
Evadiram no som e na cola
Dos covardes homens de esmola
Fazendo morrer os homens quarenta,
É fácil entender o drama
De uma tradição verdadeira
Esta acesa a primeira chama
O mundo esta em peneira…
Não lamento meus tempos idos
Acredito nos novos que vem
Creio neles mais que ninguém
Pois nunca serão os vencidos…
Tao preparados homens do futuro
Como antigas gerações efêmeras
Das pirâmides, das torres, de Atenas.
Se realizando com a mão segura…
Claro, torrentes, violentos tufões.
Perneiam a toda humanidade
Tempo que não terei saudade…
Na ilusão de fortes dragões…
De baixo para cima, ou acima.
Distante… Em qualquer lugar
Estarei vivo pra te contar…
Outras estórias… Noutra rima
Do ábaco ao futuro computador…
Da lamparina ao raio laser
Tem o homem todo o poder
De criar tudo com muito amor…
Para terminar tudo isto…
Deus em poucos dias tudo fez
Eu creio, na ciência, e insisto.

