Enquanto Leonardo estava envolvido com seus trabalhos missionários, verônica retornava a igreja, causando felicidade a todos que a conheciam. Seus pais se alegraram ao vê-la, e ouviram atentamente cada experiência vivida por ela durante quatro anos.
- São pessoas muito pobres mãe, muitas mulheres têm filhos na adolescência, e não são poucos, costumam ter entre dois e três filhos. Muitos morrem por desnutrição e pela falta de higiene. Eu aprendi muita coisa naquele lugar, e no que depender de mim sempre estarei cuidando deles, mesmo que de longe.
- E você está bem de saúde? – perguntou a mãe, obviamente preocupada com a filha.
- Nós tínhamos todo o equipamento necessário, o que foi muito bom, nós ajudamos muitas pessoas que se contaminaram com a sujeira dos rios.
- Ai minha filha, eu estava com tantas saudades de você!
Verônica se sentia confortada com os abraços da mãe, apesar de ter sido uma experiência incrível estar na Amazônia, muitas vezes que precisou deste abraço ela não o teve.
- Mãe, eu já vi todos, menos uma pessoa.
A garota não disfarçava a ansiedade para reencontrar com Leonardo, entretanto as feições da mãe demonstravam que alguma coisa não estava boa por ali.
- Filha eu não sei se é um bom momento.
- Aconteceu alguma coisa?
- Lembra-se da mãe dele? Pois é, ela faleceu faz duas semanas.
Verônica ficou sem reação ao saber da noticia, provavelmente seu amigo estaria sofrendo muito, o que de certa forma lhe fazia não tentar ter uma aproximação agora. Por mais que ela quisesse.
Mas aos poucos o garoto superava toda a dor se envolvendo cada vez mais com suas atividades cristãs. Depois de tanto tempo de estudo, ele já planejava quando iria para uma viagem missionária. Já sua amiga nem pensava nesta possibilidade, sua única vontade era de aproveitar sua família por um tempo para então depois voltar a se estabelecer na igreja.
Por mais que Leonardo tentasse, ele não conseguia se esquecer de Verônica, ele sabia que ela provavelmente já estaria na cidade, mas não tinha a certeza se estava preparado para vê-la depois de tudo o que havia acontecido nas ultimas semanas. Mas isso não significava que ele não estava se preparando para tal coisa.
Porém, ela estava preparada, aliás, bem preparada. Após dois dias sem ver o amigo, ela precisava entrar em contato, precisava lhe contar tudo o que havia passado, ainda mais depois de saber que ele estava cada vez mais envolvido na vida missionária.
Então, lembrando-se da como haviam conversado nos últimos quatro anos, Verônica dirigiu-se até a nova casa de Leonardo e apertou a campainha. Logo em seguida saiu, lhe deixando ao pé da porta uma carta com um envelope já amarelado, provavelmente guardado há muito tempo.
O garoto abriu a porta, olhou a carta e em seguida para os lados para ver se havia alguém. Lentamente ele desceu, recolheu a carta e sentou-se no sofá, observando, em seguida, que sua querida amiga era quem havia escrito.
Junto naquele envelope havia a carta que ele tinha escrito a ela, as palavras borradas demonstravam que provavelmente ela chorou quando a leu. Em seguida, ele pegou o papel escrito por verônica e começou a ler.
“Leonardo, espero que esteja melhor.
Soube do que aconteceu, sinto muito, mas nós sabemos que este não é o fim e que neste momento sua querida mãe deve estar nos braços de Jesus.
Foi muito difícil ficar longe de você por tanto tempo, enfrentei muitos problemas e chorei muito tempo sozinha, afinal, eu não tinha quem enxugasse minhas lágrimas, senão fosse Deus me dar forças, não sei se teria aguentado tanto tempo.
Antes de chegar olhei umas fotos suas na internet. Você realmente está diferente, pensei que estaria com uns 100 quilos e adorasse lanches calóricos. Enganei-me bastante.
Você sempre teve razão, é impossível ajudar alguém sem ter que arriscar sua própria vida, mas com o tempo perdi o medo, pois percebi que a vida dos que estão ao meu redor são mais importante que a minha.
Fiquei sabendo que está estudando para ser missionário, fiquei muito feliz, quem sabe na próxima viagem não iremos juntos? A não ser que você volte a ter vontade de ser bombeiro.
Um beijo de sua querida amiga.
Verônica.”
Leonardo sorriu, e sem pensar duas vezes trocou de roupa, pegou o carro e foi ao encontro de Verônica, ele sentia que agora sim, estava preparado para enfrentar a vida novamente, e quem sabe se o interesse da parte dela fosse o mesmo, os dois poderiam engatar um romance.
A garota, ainda se acostumando com a vida confortável, estava sentada em frente a sua casa, vendo os carros e motos passarem, algo tão difícil de ver no lugar que ela havia ficado por quatro anos, dentre todos estes carros que passavam, um deles parou, abriu vagarosamente a porta, e Leonardo apareceu sorrindo para sua eterna amiga.
- Ainda está com saudades de mim? – Perguntou Leonardo, sorrindo enquanto olhava para Verônica.
- Você nem faz ideia.
Ela abriu seus braços e rapidamente agarrou o amigo pelo pescoço, ficando assim por um bom tempo, sentindo depois de tanto tempo o abraço apertado de quem sempre esteve ali para protegê-la.
- Você não sabe quantas vezes eu senti falta desse seu abraço. – disse Verônica, enxugando as lágrimas.
- E eu de ouvir a sua voz.
Os dois continuaram abraçados por mais um tempo, logo após entraram na casa da menina, sentaram-se no sofá e puderam finalmente trocar algumas palavras.
- Foram dias difíceis, não é fácil Léo você ver as pessoas precisando de ajuda e você não ter condições suficiente para ajuda-las.
- Sabe, eu estou me interessando muito por missões, entretanto eu não sei se serei capaz de ver tanto sofrimento.
- Acredite, apesar de tudo é recompensador quando você vê as vidas sendo transformadas.
Os dois voltaram a sorrir e se olhavam por um tempo, a doce e inocente amizade finalmente estava dando lugar ao imenso amor que estava guardado dentro deles há quatro anos.
- Sem querer me intrometer demais, como você está com relação a sua mãe?
Leonardo respirou fundo, ele sabia que não conseguiria fugir desta conversa, entretanto ainda era difícil se lembrar dela e perceber que não a tinha mais do seu lado.
- É um vazio que não pode ser preenchido. Ela era a minha mãe, esteve sempre do meu lado e, agora não está mais…
- Foi por isso que mudou de casa não é mesmo?
- Tanto eu quanto meu pai percebemos que seria melhor, era impossível ficar naquela casa e não se lembrar dela em qualquer coisa que fosse… Não que queremos esquecê-la, mas não queremos ficar nos martirizando.
- Eu entendo… Acho que me sentiria da mesma forma se acontecesse algo assim com minha mãe.
- Sabe, ainda sinto um pouco de culpa, eu estava dirigindo o carro, eu que fui irresponsável.
- Leonardo, você sabe que nada acontece sem ter um por que não é mesmo?
- Eu sei disso, mas mesmo assim não consigo parar de me culpar, meu pai não me culpa, mas eu…
- Vai se culpar por saber que sua mãe está com Jesus agora?
- Está tentando me persuadir?
- Estou conseguindo?
O garoto voltou a sorrir, era incrível o poder que Verônica tinha de fazê-lo se sentir melhor, talvez aquele fosse o momento para ele perceber que não havia mais problemas, que de agora em diante ele precisava seguir sua vida.
- Sim, você conseguiu… E eu já estou preparado para seguir em frente.
- E eu vou estar aqui para te apoiar… Sempre…
Verônica segurava nas mãos do garoto enquanto falava. Já Leonardo, não conseguia disfarçar as mãos frias e o nervoso por estar do lado da mulher que ele tanto amava. Pela primeira vez ele conseguia esquecer tanta dor para dar liberdade ao amor.

