Entendemos que num primeiro tempo, ao se pensar em desenvolvimento sustentável para o Nordeste, justifica-se a preocupação de abastecer a população com água de chuva ou de lençol freático; zelar pelas matas ciliares e das fontes dos rios e riachos; evita
Incluir a erradicação das endemias em programas sustentáveis de
incluir os epidemiologistas nas equipes de planejamento. No entanto, as endemias e epidemias podem atuar como sérios obstáculos ao desenvolvimento sustentável. Antes de me aposentar como Técnico de Laboratório da Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM) Coordenação Ceará, trabalhei diretamente subordinado ao Chefe das Operações de Campo, no estado, Como já era formado em Geografia, não foi difícil associar os conhecimentos desta ciência às técnicas de combate às endemias. Assim acreditando, elaborei eencaminhei um documento que chamei de Projeto Baliza, à Superintendência do órgão, em Brasília, a algumas repartições de saúde, no Estado, e ao Presidente Collor de Melo, em razão do que fui entrevistado pelo Jornal Diário do Nordeste, desta cidade. ponto central da minha proposta está em apontar os aspectos da
principalmente focos epidêmicos. Dizia, por exemplo, que as epidemias tendem a se expandir no sentido dos movimentos das águas e das populações. Quanto à população, mesmo não estando em movimento relativo, pode ser classificada como fator de disseminação de surtos epidêmicos, na razão direta da sua densidade.É fácil entender que na zona rural a maior densidade da população torna as residências mais próximas, e isto facilita a contaminação. Problemas de ecologia humana ocorrem sempre por ocasião da construção de grandes represas. Enquanto milhares de pessoas se deslocam das áreas destinadas à inundação, outras centenas, umas doentes, outras suscetíveis, vêm morar nos ”acampamentos”, locais improvisados para dormitórios de trabalhadores e seus familiares. Ali, literalmente, as pessoas convivem com animais de estimação e insetos vetores das mais variadas endemias, além de cobras, ratos e lagartos. E o hálito das pessoas doentes preenche os pulmões das pessoas sadias.O que agrava mais o problema é o encurtamento da cadeia de
das residências pode variar de 20 a 40 metros. Enquanto isto, os insetos transmissores estão em seu habitat natural, geralmente situado a mais de 60 metros. Já na fase de conslusão da barragem, com o surgimento de um pequeno povoado, todas essas distâncias foram divididas, no mínimo, por 10. Agora estáo muito mais próximos o homem doente, o transmissor e o homem sadio. As mais iferentes doenças tornam-se “costume” entre aquelas pessoas.
E as que se transmitem por meio de hospedeiros
pré-requisitos a focos epidêmicos. No Ceará, a construção de alguns açudes em locais que concentram
movimentos humanos, próximos, deu origem a focos epidêmicos de alto custo. E é provável que nenhum desses casos tenham sido previstos, ou pelo menos mencionados como possíveis, nos respectivos estudos de impacto ambiental.
Construções de ferrodovias, estradas de rodagem e desmatamentos para outros fins podem causar idênticas consequências. Ficou lendária a Estrada de Ferro Madeira-Marmoré, a Ferrovia do Diabo, nas selvas da Amazônia, no hoje Estado de Rondônia, em que, conforme narrações, para cada durmente implantado, morreu um homem. Este exageiro reflete o sentimento de repulsa dos habiantes da região, em vista dos mais de 6000 óbitos causados pela malária, febre amarela, febre tifoide, tuberculose, beribéri, picadas de animais silvestres e outras doenças ocorridas enquanto durou a execução da obra, entre 1907 e 1912.
Os planejadores do desenvolvimento sustentável não devem evitar a
insetos. Nas zonas tropical e equatorial, onde é maior a incidência de sol, a vida se manifesta com mais exuberância. Daí a necessidade de levarem em conta a amaior possibilidade de disseminação de doenças transmissíveis, via ospedeiros intermediários, em regiões aí localizadas, como é o caso do Nordeste do Brasil. Por outro lado, por estarem, os recursos naturais, sob intensa ação antrópica, e, com eles, o habitat natural dos insetos vetores, a totalidade das doenças endêmicas deve ser mantida sob sistemático controle.

