Conversando Com Meu Pai.

Desculpa meu pai, mas com a vida atribulada de nossos dias, nem sempre conseguimos fazer aquilo que queremos na hora que precisamos.

Talvez você tenha pensado que o esqueci, mas não é assim, e tem mais: Dia dos Pais é todo dia.

Sabe Pai, quando você se foi dessa vida, a gente não sabia destas datas comemorativas, por isso, nunca foi possível lhe dar um presente, e, também, não tínhamos dinheiro. Você se lembra como a vida era difícil? Morar em casas ruins e no sítio, sem água encanada, sem energia elétrica? Sem televisão, que a gente nem conhecia?

A água era tirada do poço, ou buscada na mina com uma canga.

A luz era da lamparina a querosene que deixava nossas narinas pretas, você está lembrado. Sob sua tênue luz, tínhamos que escolher feijão para ser cozido no fogão a lenha.

Hoje não usamos mais o lápis, ou a caneta tinteiro para escrever cartas. Esta aqui está sendo escrita num computador, muito mais rápido e mais fácil, e com uma vantagem: as mães não batem mais nos filhos porque a roupa ficou manchada de “tinta piloto”.

Mas sabe Pai, hoje tudo mudou, nós conseguimos frequentar uma faculdade e nos tornar Doutor. Quem diria em pai, que seu filho, aquele menino esguio e mirrado seria, um dia, chamado de Doutor.

Foi à custa de muito sacrifício, mas consegui.

E como ia dizendo, hoje tudo mudou.

Não existe mais o fogão a lenha. A canga, quem conheceu, não se lembra mais. A água hoje chega em casa tratada, pelos canos de plástico.

A lamparina, então, nem em museus a gente encontra mais. Agora temos energia elétrica, que além de iluminar, move motores. Até carros elétricos já existem!

Você se lembra daquela carroça com rodas grandes em madeira, e um arco de ferro protegendo, puxada por um burro? Nunca mais vi uma igual.

Os burros, então, sumiram.

Sabe meu pai, vou lhe confessar uma coisa: eu acho que eles fugiram para as cidades, e estão escondidos nos gabinetes políticos. Alguns estão dirigindo jogos de futebol, outros dirigindo os times, assim diz o povo nos estádios.

A roça que você cultivava também está muito diferente, tem ai, um grupo que mudou o seu nome, hoje se chama agro-negócio.

Tudo mudou meu pai, mas uma coisa continua igual, principalmente a saudade que senti e sinto de você. Acho até que você não morreu. Você continua aqui, vivo, dando suas broncas, suas palmadas, mas mesmo assim, sinto saudades, afinal foram elas quem fizeram ser quem eu sou.

Obrigado Pai!

    

Antonio Angelo
Tenho 65 anos, casado, natural de Rio Claro/sp, moro em Conchas/sp. Sou Investigador de Policia aposentado e atualmente Advogado.

Publicidade

Nenhum Comentário.

Deixe um Comentário




Cursos 24 Horas - Cursos 100% Online com Certificado