O Rock Brasil Acabou!

O Rock Brasil Acabou!Cazuza está morto.
Renato Russo está morto.
Herbert Vianna, limitado fisicamente.

Quando o rock nacional explodiu, bem no início dos inesquecíveis anos de 1980, havia a impressão de sua eternidade, aliás, sentimento comum aos moços.

Fora alguns de seus precursores, como Rita Lee e Raul Seixas, a safra dos anos 80 era mais engajada, mais pop, mais comercial e provavelmente, mais carismática.

Bandas como Paralamas, Barão, Titãs e Legião Urbana, Filhos da Revolução (acompanhados neste cenário musical, por Plebe Rude, Ira, Capital Inicial, Picassos Falsos, Camisa de Vênus, Engenheiros, Biquíni Cavadão, Hojerizah, Zero e tantos outros grupos) eram capazes de sincronizar temas diversos como amor, desejo, amargura, desilusão, alegria e forte apelo sócio/político, com uma sonoridade poética capaz de hipnotizar multidões.

A contestação e a crítica social, eram elementos bem desenvolvidos neste período de abertura democrática, onde tudo parecia permitido, e ficariam como conteúdo variante, indo do convencional ao extravagante, e do bom humor à eloqüência teatral, como faziam Ultraje, Blitz, Léo Jaime; João Penca e Seus Miquinhos, dentro de um nível de inteligência e percepção jamais repetidas com tanta ênfase nos anos seguintes.

Era uma época onde foram criados grandes produtos de marketing, como RPM.

Todavia, fazia-se boa música, melodia e poema. E também belos rifs de guitarra.

Hoje, por imposição de uma mídia ausente de escrúpulos, ou simplesmente pela convencional ignorância do público, muitas vezes rejeitando o lúdico e o transcendente, só alcançados pela harmonia de uma boa composição, o Rock Brasileiro (e a boa música no geral) vive seu degredo.

Basta ver as premiações disponíveis para o gênero. E olha que premia-se de tudo, desde cantora de axé, até as mais tortuosas misturas sonoras e distorções instrumentais insistentemente chamadas de música, inclusive as praticadas por bandas emo.

Veja a premiação do Canal Multishow, e diga se o texto não é coerente.

Alguns dirão que o rock Brasil ainda está aí, com pouca visibilidade, cedendo e dividindo espaço, generosamente, democraticamente.

Mas, que rock é esse incapaz de traduzir uma época ou de criar divagações pessoais?

Que rock é esse, perdido da essência de suas guitarras, ausente do peso de seus vocalistas e letristas? E quem é seu público tão pouco exigente a ponto de permitir seu ocaso?

Parece, o eixo do rock, Rio-Brasilia-Sampa, moveu-se em definitivo para Goiânia, onde, dizem, faz-se rock de primeira linha, sem invencionices, misturas bizarras e com bons letristas. Rock por Rock, apenas. Basta de música limitada pela inteligência e incapaz de atingir o status de referencial entre jovens e adultos.

Só pra constar, digam qual foi o último grande ídolo do Rock nacional.

E se me for perguntado por que a vida ficou sem graça, culparei o materialismo, impregnando tudo; à violência, tornando o cotidiano mais nebuloso; e o caos na cidade, acabando com a paciência.

E direi também, que acordei um dia, e o Rock nacional não estava mais lá.

Comments

  1. Helter says

    excelente comentário, poérm incompleto… sou geração anos 80, época em que tínhamos metas a alcançar, querímaos ser algo e não apenas ter algo (como hoje em dia), época em que tínhamos e sentíamos valores que hoje são esquecidos…

  2. 3rick says

    fico pensando sera mesmo q cine, fresno, nx0, e restart pensam q fazem rock… nao sei o q eh, se as pessoas tem medo de escrachar ou de jogar na cara, como nossos deuses do verdadeiro rock faziam… o mundo girou foi isso…

  3. AndreAndré says

    Cara, esses grupos atendem um vazio cultural, e quem sabe, moral. Esse vazio vem sendo preenchido por música de baixa qualidade e explorado por gravadoras… Eu acredito q td isso faz parte de um modelo comercial q visa exclusivamente manter a auto crítica e o discernimento pessoal em baixa. É um mercado rentável, e provávelmente, com baixo investimento…

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