As emoções no mundo do progresso e da civilização

O mundo do “progresso” e da “civilização” em que vivemos levou o ser humano a desvalorizar ass suas emoções, transformando-as em indiferença e até apatia. Este facto, apesar de não ser positivo, é compreensível visto que se uma pessoa se interessasse, condoesse e compadecesse com um conjunto de situações a que assiste no seu dia-a-dia, como o indigente que dorme nas ruas, as crianças que pedem no semáforo, a fome que muitas famílias passam, as crianças que sofrem de carências afetivas, não seria capaz de funcionar corretamente num sistema onde quem dita as regras é a competência e o egoísmo.

Qual será o governo que está interessado que um soldado sinta compaixão pelo inimigo que tem de aniquilar? Que importância têm os rios, as casas, as árvores, os monumentos históricos, os camponeses ou os pobres quando só se pensa no desenvolvimento económico? Que valor têm as emoções no mercado? Nenhum. Mas deveriam ter, porque se queremos que um país funcione bem, se queremos que os níveis de produtividade, eficiência e eficácia cresçam, se queremos que se façam bem as coisas com vista ao desenvolvimento do país, temos de estar cientes que o ser humano só funciona bem se puder exprimir livremente os seus estados emotivos, falar sobre as suas dores, dizer livremente o que pensa, pois só assim ele se sentirá em equilíbrio para poder funcionar bem no dia-a-dia, nomeadamente no seu trabalho.

O trabalho seria desempenhado com mais descontração, prazer, logo de uma forma mais correta sendo que os resultados seriam uma maior e melhor produtividade.

Ao que parece há muitas pessoas interessadas em acabar com as emoções, para que estas não interfiram nos seus projetos de desenvolvimento. No entanto, as emoções não se podem dominar tão facilmente. Ninguém as consegue abolir. Podemos quanto muito ocultá-las com um manto de indiferença, porém esta opção parece-me pouco saudável pois elas continuam a afetar-nos por dentro.

Outra forma de as abafar é modificar a nossa escala de valores, os nossos padrões de pensamento, de forma a que por exemplo, acabemos por nos convencer que a competência é uma atividade “saudável”.

Vemos o “saudável” que isto é. No mundo da competência é imprescindível demonstrar que se “sabe”, que se é “capaz” e que se é “melhor” que os outros. E a forma de o conseguir é questionando e desvalorizando os sucessos dos outros. Assim, colocamo-nos numa posição de superioridade. Evidentemente que este ato exige um desligamento emocional dos nossos colegas de trabalho.

Esta prática nociva fomentada pelas empresas resulta numa fonte de constante tensão laboral que afeta significativamente os empregados, tornando o seu processo produtivo pouco eficaz.

O stress é uma resposta mental e física a uma situação adversa que mobiliza os nossos mecanismos de defesa: o mecanismo de enfrentar ou de fugir. Para sobreviver, a única coisa que podemos tentar é não nos envolvermos emotivamente. Mas este processo de isolamento torna-se extremamente doloroso.

Se analisassemos profundamente a sensação de nos sentirmos isolados poderíamos ir para além da razão e pensar no nosso lugar original. De onde viemos antes de nascer e para onde iremos após a morte e assim procurar a forma de manter contato com a nossa família celestial para nos podermos sentir filhos amados. Ligados à nossa fonte divina encontraremos acalento e sustento que nos fará sentir sempre acompanhados e guiados, onde podemos despojar-nos de todas as máscaras e armaduras que adquirimos e sermos apenas nós, nus e vulneráveis por forma a não mais nos sentirmos sós.

 

    

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