Argumentos para a defesa de Capitu

Argumentos

Argumento relacionado ao contexto da estética realista:
- Capitu = personagem complexa, curiosa, sagaz e de personalidade forte. (As próprias características da personagem dão uma idéia de inovação no que se refere à estética realista. Por que não criar uma personagem complexa e ao mesmo tempo inocente? Pode ter sido esse o pensamento de Machado de Assis).
- O adultério é a característica mais marcante do Realismo no que se refere à temática. Porém não podemos nos esquecer que estamos falando de Machado de Assis, um escritor que primeiro inovou se desvinculando do movimento romântico e depois, ao escrever Dom Casmurro, inovou ao deixar a dúvida sobre a traição. Machado de Assis pode ter inovado completamente nesse sentido, ao romper com a estética literária vigente, construindo uma personagem de personalidade forte e, ao mesmo tempo, totalmente fiel ao marido.

Dissimulações:
- Dissimulações = Bentinho também dissimulava. Capitu disfarçava, falava e logo mudava de assunto. Bentinho, porém, mesmo calado fingia. Imagine… Bentinho era calado por natureza. Se ele ficasse nervoso e tentasse disfarçar culpa de modo espontâneo de uma hora para a outra estaria falando abertamente que era culpado. Ao ser questionado sobre o motivo pelo qual não deseja ir ao seminário, dissimula mais uma vez tentando desmentir a “denúncia” de José Dias, alegando não querer ficar longe de sua MÃE. (“Ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio”. / “Vamos enganar toda essa gente…” )
- Capitu era transparente em seus sentimentos. Bentinho os tinha confusos. (“Capitu temia a nossa separação.”)
- Quanto aos supostos olhares entre Capitu e outros rapazes, pode-se dizer que é justificada pela implicância que José Dias tinha com a mesma e com o seu pai. No final do livro o próprio personagem confessa ter exagerado em suas acusações, dizendo que as mesmas foram proferidas devido à antipatia que sentia por seu pai, o Pádua. (Declaração de José Dias no final: “Ela é um anjo… boa, discreta, prendada, amiga da gente, … e uma dona de casa que não digo nada.)
- A mentira é compartilhada por Bentinho que a defende em um dos capítulos. (“A mentira é, muitas vezes, tão involuntária como a transpiração”..)
- Bentinho, inicialmente era confuso acerca de seus sentimentos, apenas se dando conta a partir da “denúncia” de José Dias. Já Capitu os tinha bem claros em sua mente. (“Verdadeiramente foi o princípio da minha vida.”)
- Bentinho esperava uma Capitu frágil e extremamente sensível. Capitu utilizava as mesmas armas de Bentinho. Utilizava a ironia e o sarcasmo quando necessário.
- Bentinho sentia medo. Não conseguia contrariar a vontade de sua mãe. Tal fato pode ser comprovado quando é questionado por Capitu sobre sua preferência (Se tivesse que escolher entre eu e sua mãe, qual escolheria Bentinho?). Quando criança tinha medo de assumir seus sentimentos. (Você vem? Venho. Contra a ordem se sua mãe? Contra a ordem de mamãe…. Mentiroso.)
- Quando Capitu questiona Bentinho acerca de sua preferência (Se escolheria ela ou sua mãe), ela queria apenas testar a sua sinceridade. É claro que ela sabia que escolheria sua mãe. Afinal, não há como competir com amor de Mãe. Com isso ela comprovou que Bentinho não tem opinião própria e como escreve no chão, ele é MENTIROSO.


Argumentos religiosos

- Bentinho era religioso, porém, duvidava do poder de Deus, uma vez que duvidava das semelhanças entre seu filho e Escobar, mesmo já tendo comprovado antes a mesma semelhança entre a mãe de Sancha e Capitu. Era tão temente a Deus (falo com ironia), que cobiçou a melhor amiga de sua mulher, sendo assim consumada a sua traição no que se refere as normas ditadas pela bíblia. Era tão fiel a Deus que acreditava ser a morte a solução para a sua mente perturbada, sendo capaz de tentar contra a vida de seu filho. (“Não cobice a casa de outro homem… Não cobice a sua mulher…” –)


Outros argumentos

- Situação do Teatro: Bentinho encontra Escobar à porta do Corredor. Não há como provar que o mesmo saíra do apartamento de Capitu. Se Capitu realmente era culpada, porque não dissimulou fingindo ainda estar enferma? Talvez não tivesse motivos e tivesse certeza na confiança de seu marido. (“Encontrei Escobar à porta do corredor.”)
- O livro também dá indícios de que Bentinho era muito cobiçado pelas mulheres, principalmente ao voltar dos seus estudos, o que comprova a confiança que Capitu depositava nele.
- Situação do enterro de Escobar: Capitu era amiga de Escobar, portanto sentiu a morte do amigo. Estava em uma posição que tinha como objetivo oferecer consolo à amiga Sancha. Como amiga, ela ofereceu seu ombro e se encarregou de acalmá-la. Vale lembrar a proximidade entre os casais. O olhar de Capitu ao defunto transparecia a preocupação de Capitu com a amiga que se encontrava sozinha com um filho para criar. Um filme passava por sua cabeça. (“Capitu não dissimulou tristeza que lhe trazia a dor da amiga.”)
- A passividade que recebe a acusação de seu marido: Capitu no capítulo 76 jurou a Bentinho que da próxima vez que ele desconfiasse dela, ela o abandonaria e o deixaria seguir a sua vida. Sim, ela tinha uma personalidade forte, mas sabia respeitar a vontade de seu amado. Antes de tudo ela queria que ele fosse feliz, e se não conseguia encontrar a felicidade junto a ela, o deixou livre para buscar caminhos alternativos. Capitu fugia do ideal da mulher da época, porém certos valores continuam os mesmos na maioria das mulheres não importando a época ou o tipo de sociedade que a mesma se encontra. Qual mulher conseguiria ser humilhada dentro de sua própria casa sem que pudesse tirar da mente perturbada do marido a idéia de traição? (Capitu conhecia muito bem a mente de Bentinho. Ele dava mais créditos às opiniões de terceiros do que às justificativas das pessoas que realmente o amam.Tal fato pode ser comprovado quando José Dias o instiga a respeito do comportamento de Capitu, ainda na adolescência) (Trecho: “à primeira suspeita da minha parte tudo estaria dissolvido entre nós.”)
- Se Ezequiel era realmente filho de Escobar porque Capitu não dissimulava a semelhança? Ao contrário, ela comentava abertamente o assunto com Bentinho. Uma mãe, mesmo que de brincadeira, não faria piadinhas no que se refere ao casamento de duas crianças que são irmãs. Ela não demonstrava frieza e muito menos sarcasmo. Em certo momento do livro Bentinho fala que Ezequiel tinha os olhos de Capitu, porém a expressão de Escobar. Tal expressão pode ter sido adquirida com o costume que o filho tinha de imitar as pessoas, inclusive Escobar! (No início, Bentinho repara semelhanças simples e conforme vai aumentando a perturbação de sua mente, a imagem completa de Escobar passa a ser refletida em seu filho). (Trecho “Escobar chegou a falar da hipótese de casar o pequeno com a filha.” / “Na vida há dessas semelhanças assim esquisitas”.)
- O distanciamento de Dona Glória pode ser atribuído à velhice. A maioria das pessoas quando envelhecem têm a tendência a possuírem atitudes mais reclusas, visto que não se sentem no direito de “incomodar” a felicidade dos filhos (Digamos que ela ficou ranzinza).
- A semelhança entre Ezequiel e Escobar parecia não ser notada por José Dias (correspondente de Capitu após a separação) e mesmo que fosse notada era encarada com normalidade por ele, o que sustenta a tese da imaginação obsessiva de Bentinho. (A imaginação de Bentinho, ainda, é tema de um capítulo, onde ele mesmo retrata a capacidade que tinha de fantasiar, de imaginar coisas. Agora imagine uma mente perturbada, e incrivelmente engenhosa no que se refere à criação de fatos…)
- Acredito sim na semelhança de Ezequiel e Escobar, o que pode ser explicado por causas naturais (como no caso da mãe de Sancha e Capitu) e através do costume do primeiro em imitar o segundo. (“Já lhe achei até um jeito dos pés de Escobar, e dos olhos…”)
- No momento em que Bentinho tenta matar o filho Capitu entra e ouve Bentinho falando que Ezequiel não era seu filho. O fato de ambos terem olhado para a foto de Escobar não justifica nada, visto que Capitu sabia a causa da desconfiança de seu marido, embora não achasse o menor sentido…
- Escobar era galanteador. E daí? Não justifica… Quando um não quer dois não brigam…
- O próprio Bentinho confessa que suas idéias eram confusas e difusas… no capítulo cinqüenta e alguma coisa … (“A imaginação foi a companheira de toda a existência”)
- Bentinho admirava tanto as características de Escobar, que até mesmo parecia inveja. (Admirava seu corpo, o modo como era querido pelas pessoas, o filho que morria de vontade de ter…) Acredito que a culpa que Bentinho sentia, vinha do fato de sentir inveja de seu melhor amigo. Isso perturbava a sua mente.
- Bentinho era tão neurótico que tinha ciúmes de Capitu com o Mar. Comparava os olhos de Capitu ao mar quando estava de ressaca (Olhos de ressaca)… Por incrível que pareça, Escobar morreu afogado quando o mar estava de ressaca…
- Bentinho se identificou com Otelo. Detalhe, em Otelo Desdêmona era inocente e seu marido era ciumento. (“Se ela deveras fosse culpada, tão culpada como Capitu?”)
- Capitu economizava, logo não faz sentido o casamento por interesse. Mesmo rica Capitu não aceitava depender totalmente de Bentinho (“Já disse que era poupada…”)
- Por que Bentinho não levou Capitu a julgamento? É nítido no livro as sensações de culpa e incerteza do senhor Bento Santiago. Ele mostra não ter certeza da traição, mesmo assim no último capítulo encara a traição como algo certo e conformado (Contradição). O mesmo fez pior ao exilar sua mulher e seu filho. Além disso, queria manter as aparências sociais (“Quis o destino que acabassem juntado-se e enganando-me…”)
- Olhos de Ressaca: Bentinho apenas começou a desconfiar do olhar de Capitu após a declaração de José Dias. Não se pode levar em consideração aspectos sensíveis (opiniões), pois estes acabam levando à sofisma (crença falsa). Bentinho sentia-se atraído pelo olhar determinado de Capitu e, como todos, sentia-se extremamente fascinado.

Argumentos Clínicos
- Loucura de Bentinho  Esquizofrenia.
- Bentinho ouve vozes e vê coisas.

Argumentos para utilizar em um “júri simulado”
- O adultério não é mais crime:
Art. 1º Fica revogado o art. 240 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal Brasileiro), que tipifica o crime de adultério, renumerando-se os artigos seguintes.
Art. 2º Esta lei entrará em vigor na data da sua publicação.
Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.
- Na época em que a obra foi escrita, é provável que o adultério ainda configurasse crime. PORÉM, a pessoa só era considerada culpada se o ato sexual fosse visto pelo marido. Ou seja, Bentinho não tem provas concretas a respeito da culpa da senhora Capitolina, logo não se pode condená-la.
TODOS SÃO INOCENTES, ATÉ QUE SE PROVE O CONTRÁRIO! (INDUBIO PRO REO)

    

André Pereira dos Santos
Estudante interessado em aspectos relacionados à leitura e escrita, bem como fatos políticos-sociais de interesse coletivo, além de assuntos que abrangem toda a esfera do conhecimento.

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5 Responses to “Argumentos para a defesa de Capitu”

  1. Looren pessanha

    mar 12. 2011

    adoreeeeeeeii, vs são demais”)

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  2. Aliane

    out 18. 2011

    Amei!!!
    Vou participar de um júri simulado, e sou a advogada de defesa e esse argumentos vão me ajudar muito!!! =D

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  3. Beatriz Novaes

    nov 09. 2011

    São ótimos os argumentos utilizados, estão de parabéns ! li com prazer todas as colocações, e além de tudo elas iram me ajudar bastante no júri simulado! Obrigado pela ajudinha ! ;DDDD

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  4. emerson

    nov 10. 2011

    muuuuuuuuito bom!!! o texto é bem objetivo e convincente,vcs estao de parabens!!!!

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  5. Carolina

    ago 08. 2012

    Vou participar de um Juri simulado, serei Capitu. Ótimos argumentos. Com certeza ganharemos a causa. kkkkk obrigado :]

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