O que nos impele a retirar da caixa de recordações guardada no sotão, aquela fotografia antiga ou as cartas de amor de recebemos daquele alguém especial?
É a necessidade do ser humano de reviver emoções. Porque só nos sentimos verdadeiramente vivos quando nos emocionamos. É o desejo de fazer renascer emoções antigas vividas com um grande amor ou momentos que nos proporcionaram grandes alegrias.
As coisas materiais subumbem à passagem do tempo, são efémeras e acabam por desaparecer, porém as nossas imagens mentais, assim como as emoções permanecem intactas.
As nossas emoções estão como que adormecidas na memória esperando o despertar despoletado pelas nossas recordações. Ao recordarmos determinadas situações vivenciamos as mesmas emoções que vivemos outrora e, novamente, vivemos, sentimo-nos vivos.
Se conseguirmos transmitir por palavras as imagens e as emoções que aquelas despoletaram em nós, então a alegria por que somos tomados é indescrítivel. A emoção intensifica-se e a sensação de reviver aquele momento especial torna-se ainda mais viva e presente. Procuramos sempre repetir uma experiência através das imagens e das palavras.
Investigadores modernos concordam que há uma tendência natural no homem para aprender por meio de imitação. Quando uma pessoa observa o sorriso de outra, ela tende a sorrir também.
No entanto, não se trata apenas de uma imitação. Quando estamos perto de uma pessoa sorridente, sentimo-nos naturalmente contagiados pela suaa emoção. O que também sucede quando a emoção é negativa. As emoções formam parte de um sistema de impulsos elétricos que atravessam as nossas células.
Uma emoção é energia em movimento e, sendo assim, o que impede que ela saia dos limites do corpo que a produz para se introduzir nos de outra pessoa? Existe pois um intercâmbio de emoções e de energia. É por esta razão que nos sentimos tão bem perto de certas pessoas e perturbados junto de outras.
Neste sentido, o estado emotivo de um ser humano influiria radicalmente o seu meio.
Assim sendo, tal como somos atraídos por um alimento que nos pareça apetecível ou somos repelidos por um outro que não nos agrada, também nos sentimos atraídos por pessoas que nos transmitem bem estar e afastados por pessoas que nos transmitem inquietude.
No entanto, algumas vezes, em vez de nos afastarmos daquilo que nos agride, aproximamo-nos. O que é que nos impele a agir desta forma?
Uma crença transmitida à nossa mente nos primeiros anos de vida.
Uma ideia mais forte que o poder de sobrevivência.
A ideia de que não somos bons o suficiente.
A crença de que não merecemos outra coisa senão maus tratos.
Uma baixa auto-estima.
Não é possível explicaar de outra forma por que motivo uma pessoa viveria ao lado de outra que a humilha constantemente.
Será, também, interessante analisar qual é a razão que leva uma sociedade a contaminar a água do rio que bebe. Ou a destruir as suas reservas ecológicas.
Poderemos estar perante uma nação com baixa auto-estima e com desejos de autodestruição?
Que não se apercebe dos riscos que corre como espécie?
E que atue de forma totalmente irresponsável, ainda que contra um dos seus mais fortes instintos?

