A morte do Presidente Getúlio Vargas

Lembranças de minha Infância.

Eu era bem pequeno ainda. Tinha apenas 7 anos, morava na cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo na época uma cidade ainda pequena e pacata, com quase nenhum desenvolvimento urbanístico.

A energia elétrica era para poucos.

A água encanada era privilégio dos ricos.

O fogão, ainda era à lenha, e isso explicava a existência de algumas “lenhadoras” na cidade. Para quem não sabe ou não conheceu, lenhadora era um estabelecimento semelhante a uma madeireira, onde se vendia lenha para abastecer os fogões feitos de tijolos ou mesmo de ferro que existiam nos restaurantes mais estruturados, porque o gás de cozinha era exíguo e muito caro.

A televisão ainda não havia chegado. Restava o consolo do rádio com válvulas, que mais parecia uma caixa de abelhas, ou para quem tinha melhor situação financeira, o rádio a pilhas.

Na época, eu morava com minha família num sítio bem próximo da cidade, e todo o dia acompanhado de meu amigo inseparável, meu cachorrinho por nome LULU, ia numa mercearia fazer compras de pequenas coisas, como pão, fumo de corda, sal, óleo de algodão, mortadela, e outras miudezas. Nessas idas, apesar do medo, eu era obrigado a passar bem na frente do Cemitério de São João Batista, até hoje, o principal cemitério de Rio Claro. Confesso, que ao chegar próximo ao cemitério minhas pernas bambeavam e o medo se apoderava de mim, mas o que fazer? Precisava ir às compras por ordem de meu pai, ou de minha mãe, e, naquele tempo, ordem de pai e mãe não se discutia.

A Infausta Notícia.

Esse dia 24 de agosto de 1954 ficou gravado em minha memória, e não consigo apagá-lo. Todos os anos são revividos de uma forma muito nítida.

Passava eu na frente do Cemitério, quase trêmulo de medo, quando vi um Senhor, que devia ser funcionário do Cemitério, sentado no chão ouvindo músicas em um “radinho de pilha”. Nesse preciso momento, a música foi interrompida, e uma voz com tom bastante grave, assim anunciou:

Aqui fala o seu repórter Esso com as últimas notícias do Brasil e do Mundo. E atenção: acaba de se suicidar no Capital do Rio de Janeiro, o Presidente Getúlio Vargas. Dentro de instantes daremos outros detalhes”.

Arrepiei até na sola dos pés. Imaginem, com medo de passar na frente do Cemitério, e ouço a notícia do suicídio do Presidente da República, o grande Getúlio Vargas. Pouco ou nada sabia da sobre a existência do Presidente da República, acredito, que tenha ficado gravado em mim, por ser o anuncio da morte de uma pessoa, exatamente na porta do Cemitério, pois, somente anos mais tarde consegui entender quem seria Getúlio Vargas, mas eu tive o privilégio de ser um dos primeiros brasileiros a ser informado da morte do Presidente.

Este é um fato verídico que aconteceu em minha vida.

www.suapesquisa.com/vargas/

 

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Antonio Angelo
Tenho 65 anos, casado, natural de Rio Claro/sp, moro em Conchas/sp. Sou Investigador de Policia aposentado e atualmente Advogado.

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